'Circuito Novembro Negro' debate afroempreendedorismo e marketing digital

05/11/2019 18h13 - Atualizada em 07/11/2019 12h22
Por Rodrigo Avelar (SECULT)

No mercado, o movimento já é conhecido como afroempreendedorismo, voltado ao público negro. No Brasil, já são mais de 11 milhões de afroempreendedores, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), movimentando cerca de R$ 1 trilhão em todo o País. Em Belém, começou no fim da tarde de segunda-feira (4) o “Circuito Novembro Negro”, que promove atividades de capacitação em marketing digital realizadas pelo AfroHub, com apoio do Festival Exú e do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult).

Representantes do AfroHub, que promove capacitação em marketing digitalNo evento, realizado no Teatro Estação Gasômetro, o público teve contato com a principal teia de articulação de afroempreendedorismo no Brasil, com a população negra assumindo o protagonismo no ramo dos negócios. O evento debateu temas como educação financeira, desenvolvimento de estratégias de vendas para redes sociais com o Facebook e a experiência AfroHub, programa de aceleração de empreendimentos negros, idealizado pelas start-ups Diáspora. Black e Afrobusiness, e pelo Festival Feira Preta, que também apresentaram suas trajetórias.

Weverton Ruan, um dos coordenadores do Festival Exú, que idealizou o projeto em conjunto com o AfroHub, garantiu o encontro entre o pensamento tradicional de matriz africana como patrimônio cultural com uma tecnologia desenvolvida para transformar a realidade das populações negras atuais, a nível nacional e regional.

Na programação, assuntos como movimento do afroempreendedorismo no mercado, empreendedores, valor monetário anual e a necessidade de divulgar essas informações no Pará, que tem uma grande parcela de população negra, com herança de comunidades tradicionais quilombolas, além de garantir o acesso a esse potencial econômico.

Afroempreendedores lotaram o Teatro Estação GasômetroO público foi formado principalmente por empreendedores negros, alvo do projeto. Uma das participantes foi Mina Ribeirinha, uma das responsáveis pela Tinta Preta, grife de estampas autorais marcadas pela estética do grafite. Ela, que já participou do AfroLab Belém (outro evento de afroempreendedorismo), disse que é preciso incentivar outros eventos para empreendedores negros na região. Segundo ela, “é muito importante este tipo de evento voltado à população negra, sobre empreendedorismo. Teve muitas informações que eu vou aproveitar para o nosso empreendimento, para expandir as nossas redes sociais”.

Inspiração - Projeto de fomento a empreendedores negros com o uso de tecnologias, o AfroHub foi idealizado pelas startups Diáspora.Black, Afrobusiness e pela Feira Preta em 2018. Funciona com apoio do Facebook e da articulação com outros coletivos e projetos, em várias cidades do Brasil. Em Belém, teve o apoio do Festival Exú e do Governo do Pará, por meio da Secult. Carlos Humberto, fundador da Diáspora.Black, ressaltou que o AfroHub sempre busca inspirar e treinar empreendedores no uso de redes sociais, a fim de que potencializem seus negócios.

“Para a gente é muito relevante estar aqui em Belém, juntamente com o Festival Exú, que tem um papel determinante não só aqui, mas em todo o Brasil, para mostrar o trabalho da comunidade negra e evidenciar o que vem acontecendo de cultura aqui em Belém e no Estado do Pará’, disse Carlos Humberto.

Consciência Negra - O evento integrou o segundo dia da programação do Preamar da Consciência Negra, conjunto de atividades que correspondem às demandas levantadas, sobretudo, pelas escutas setoriais realizadas pela Secult desde o início do ano. São apresentações musicais e cênicas, feiras livres, mostras, seminários e encontros, dos quais a Secretaria é parceira na realização e apoio cultural.

O objetivo principal do Preamar da Consciência Negra é descentralizar atividades culturais e levá-las para diversos pontos, incluindo as áreas de influência do Programa Territórios pela Paz (TerPaz).

Para o diretor de Cultura da Secult, Júnior Soares, o Dia da Consciência Negra é uma data emblemática como símbolo de resistência cultural e do posicionamento da população negra. Sobre os realizadores do Preamar da Consciência Negra, o diretor ressaltou que “essas pessoas já realizam. O que nós fizemos foi reuni-las em uma programação só para dar mais visibilidade a essas ações e dizer que reconhecemos o povo negro como um povo criador e importante para a nossa história social, cultural e política”.

A programação do Preamar da Consciência Negra prossegue durante o mês de novembro.