Ophir Loyola integra estudo sobre reabilitação do AVC no Brasil

Hospital é o único da região Norte no projeto realizado pelo Albert Einstein em parceria com 12 instituições do país

22/05/2020 11h35 - Atualizada em 22/05/2020 12h36
Por Leila Cruz (HOL)

Doença ocasionada pela insuficiência de fluxo sanguíneo em uma determinada área do cérebro, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é considerado uma das principais causas de morte e incapacitação no país pelo Ministério da Saúde. E, para aperfeiçoar e atualizar as diretrizes de atenção à reabilitação da pessoa acometida por esse distúrbio, um estudo está sendo realizado pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com 12 instituições de diversas regiões do país, sendo o hospital público estadual Ophir Loyola, em Belém, um dos centros avaliadores.

O projeto “Acesso à Reabilitação Após Acidente Vascular Cerebral no Brasil: Estudo Multicêntrico Retrospectivo” vai avaliar a assistência nos centros estudados em relação à evolução do quadro clínico do enfermo durante a oferta do cuidado em reabilitação. Os resultados permitirão definir o perfil de acesso dos pacientes na rede privada e no Sistema Único de Saúde (SUS).

Professor Eric Paschoal coordena as ações do projeto no Hospital Ophir Loyola, em BelémDe acordo com o especialista, professor Eric Paschoal, as diretrizes assistenciais serão formuladas pelo Ministério da Saúde a partir do estudo que é coordenado pela professora Adriana Conforto, do Departamento de Neurologia Universidade de São Paulo. Segundo ele, que coordenada o desenvolvimento do projeto no Ophir Loyola, o AVC torna-se um dos principais motivos de morte nas regiões mais carentes, onde existe uma maior dificuldade de assistência à saúde.

Eric Paschoal também considera o momento atual ocasionado pela Covid-19. “Deve ser lembrado que a infecção pelo novo coronavírus pode aumentar o risco de desenvolver quadros de AVC mais graves e também acometendo jovens entre 30 a 40 anos sem fatores de risco. Pacientes que já apresentaram AVC previamente têm 2,5% mais chances de um novo AVC quando na vigência de infecções virais desta natureza e, não diferente dos demais, irão precisar de reabilitação”, explica.

Serão incluídas 400 pessoas para avaliação nos centros distribuídos ao longo do país, uma média de 30 por cada um. As informações obtidas permitirão mapear o perfil dos pacientes.

“Com base nesses dados, o Ministério da Saúde conseguirá estabelecer as diretrizes para a qualificação do cuidado em reabilitação da pessoa com AVC, por meio de uma discussão multiprofissional, principalmente no tocante à reabilitação fisioterápica que traz a melhora funcional” - Eric Pachoal, professor que coordena o projeto no Hospital Ophir Loyola.

Paschoal também enfatiza o papel do Ophir Loyola como Hospital de Ensino e Pesquisa voltado para a comunidade científica. “Inicialmente, 16 centros participariam do projeto, mas somente 12 foram considerados aptos. A maioria está localizada nas regiões Sul e Sudeste. Na Nordeste, participam hospitais de Fortaleza, Natal e Salvador. O HOL é o único participante do Norte, isso mostra a relevância da nossa atuação em ensino e pesquisa”, destaca.

Para ser desenvolvido, o projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do hospital. Existe um termo de consentimento livre pré-estabelecido instituído pelo Albert Einstein, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS - Proadi/SUS. “Faremos a aplicação das escalas de performance de avaliação dos pacientes a nível ambulatorial com o intuito de verificarmos se ocorreu a melhora ao longo do processo da reabilitação”, explica o especialista.

Assistência – O Ophir Loyola dispõe de um Ambulatório de Neurocirurgia Vascular e de Neurorradiologia destinado aos pacientes com Acidente Vascular Cerebral referenciados pela regulação. Além do tratamento cirúrgico e não cirúrgico, o serviço realiza ainda a intervenção endovascular, sendo o hospital o único credenciado pelo SUS no Pará. Outros grupos também são assistidos, como aqueles acometidos por malformação arteriovenosa cerebral ou na medula. 

A equipe possui um grupo de reunião conectado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à UFPA. A comissão discute os casos duas vezes por semana e tem apresentação de diversos especialistas. A equipe multidisciplinar conta com neuropsicólogo, fonoaudiólogo e fisioterapeuta. O projeto deverá ser concluído em quatro meses e servirá de alicerce para a implementação das políticas de saúde e reabilitação do Acidente Vascular no Brasil.