Parque do Utinga se transforma em berçário animal com a chegada das chuvas

20/11/2020 17h17 - Atualizada em 20/11/2020 23h33
Por Dayane Baía (SECOM)

Em plena região metropolitana de Belém, o Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna é um refúgio para espécies silvestres amazônicas. A vegetação serve de abrigo e alimentação à fauna, do mesmo modo que os animais auxiliam no desenvolvimento vegetal polinizando flores, fertilizando o solo e dispersando sementes. A chegada das chuvas do inverno anuncia também o nascimento de inúmeras espécies, transformando o espaço em um verdadeiro berçário. 

Na estação das chuvas o Parque se renova. “O verde da vegetação viceja, deixa o clima bem mais ameno e o perfume de variadas florações se espalha generosamente por todo o território, brindando nosso olfato com agradabilíssimos aromas florais da natureza. Não que não haja nascimentos na estação mais seca, mas nas chuvas, a presença de filhotes é muito mais numerosa, nos diversos grupos faunísticos”, pontua o gestor ambiental Augusto Jarthe.

Pequenos pássaros canoros como as coleirinhas, bigodinhos, curiós e caboclinhos, são facilmente avistados. Jovens iguanas se movem pelos arbustos em busca de um território seguro e com muitas folhas e flores para sua alimentação e desenvolvimento. As pequenas presas também tornam-se ideais para os filhotes de serpentes. Mas nenhum grupo se compara aos milhares de sapinhos, rãs e pererecas que iniciam suas vidas, contribuindo ativamente para o equilíbrio ecológico deste espaço, controlando populações de mosquitos, baratas, aranhas, e outros invertebrados. 

A presença de tantas espécies pode ser observada pelos visitantes, desde que os limites ambientais sejam respeitados. “Entendemos que o visitante do Parque do Utinga deve ser conscientizado em relação à importância da fauna no ecossistema, visto que faz parte de um dos maiores corredores ecológicos da região metropolitana. É uma Unidade de Conservação de Proteção Integral onde guarda uma rica e importante biodiversidade, destacando a fauna nesse contexto da região metropolitana”, informou Crisomar Lobato, engenheiro florestal e diretor de Gestão da Biodiversidade do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), que gerencia o parque. 

Para Karla Bengston, presidente do Ideflor-Bio, é necessário criar mecanismos de sensibilização quanto à importância de conscientizar a população sobre o papel do meio ambiente na preservação da vida. “Principalmente pelo fato de que os nossos hábitos de vida trazem impacto sobre o meio ambiente. Sendo assim, torna-se imprescindível estimular uma reflexão sobre a importância da biodiversidade para a vida e o consumo responsável alertando sobre as consequências que o descuido com a natureza podem provocar”, afirmou a gestora.

A preocupação com as populações de espécies também pode ser percebida por um projeto de reintrodução de ararajubas no Parque Estadual do Utinga, que já teve a primeira fase concluída. “Soltamos dezenas de ararajubas para repovoamento do Parque, que estavam localmente extintas na RMB. Estamos partindo para uma segunda fase e com isso garantir uma população geneticamente viável”, acrescentou Crisomar.

No espaço compatível para atividades físicas, os moradores regulares, as espécies animais do parque e a flora que conferem a beleza e a biodiversidade da unidade de conservação. “Seja no verão ou em nosso período de chuvas, visitar o Parque é diversão e aprendizados garantidos. Aqui é um local estruturado para entreter o espírito, exercitar o corpo, alimentar a mente e incorporar vivências agradáveis e inesquecíveis, para toda a vida”, atestou Augusto Jarthe.